Baixa autoestima em mulheres
A autoestima não é um sentimento que nasce isolado. Ela é tecida fio a fio na nossa história, e para as mulheres, essa tapeçaria tem padrões complexos, muitas vezes impostos por vozes que nem sempre reconhecemos como nossas.
Você já parou para pensar na intensidade das expectativas que recaem sobre o feminino?
Desde muito cedo, a socialização feminina nos ensina um roteiro: ser gentil, cuidar do outro, ser bela (mas não vulgar), ser bem-sucedida (mas não ameaçadora), ser mãe, esposa e profissional impecável. É uma coleção de “seres” que se tornam inatingíveis.
A Cobrança Social: Um Fardo Inconsciente
Na Psicanálise, nós olhamos para as estruturas profundas que organizam o psiquismo. E nesse cenário da autoestima feminina, o que vemos é um Supereu (a instância psíquica que representa a moral, as regras e as exigências) inflado pelas cobranças sociais.
A sociedade nos oferece um “ideal de eu” feminino que é, na verdade, uma miragem. O problema é que introjetamos essa miragem de tal forma que ela se torna o nosso crítico interno mais severo.
E como isso repercute sem percebermos?
A Autossabotagem: A crítica incessante nos faz duvidar das nossas capacidades, mesmo quando temos evidências de sucesso.
O Foco no Exterior: Passamos a viver numa busca constante por validação externa (elogios, aceitação, notas) para preencher um vazio interno.
O Sentimento de Fraude: A síndrome da impostora é um reflexo direto dessa estrutura. Você se sente “por um triz” de ser descoberta como “não sendo boa o suficiente”.
A Dificuldade em Dizer “Não”: O medo de desagradar, que remonta ao imperativo de sermos “boazinhas” e cuidadoras, nos aprisiona em relações e situações que nos esgotam.
A baixa autoestima, nesse sentido, não é um defeito de caráter ou uma simples “falta de confiança”. É a ferida aberta causada pelo desencontro entre quem você é e a perfeição que você sente que precisa ser para merecer amor e reconhecimento.
A Escuta Psicanalítica: Resgatando a Sua Voz
O caminho para uma autoestima mais sólida e verdadeira não está em ler listas de afirmações positivas, mas em desvendar a origem da voz que te critica.
A Psicanálise oferece um espaço único para isso.
Não se trata de julgar ou dar conselhos, mas de escutar como esse fenômeno se manifesta na sua história. Como a sua relação com seus pais, as figuras de autoridade e as primeiras experiências sociais moldaram a forma como você se vê hoje.
Como a Psicanálise lê este fenômeno e pode ajudar?
Identificação do Crítico: Ajudamos a dar nome e a localizar a origem do seu Supereu severo. Ao trazer à luz o que é inconsciente, tiramos o poder destrutivo da crítica interna.
Diferenciação: O trabalho analítico permite que você comece a diferenciar o que é seu desejo e o que é o desejo do Outro (as cobranças sociais e familiares).
O Acolhimento da Imperfeição: Ao invés de buscar a perfeição inatingível, a análise permite que você encontre valor e força na sua singularidade, com todas as suas contradições e falhas humanas. É na aceitação do que é, e não do que deveria ser, que a autoestima floresce de forma autêntica.
Se você sente que carrega um fardo invisível, talvez seja o momento de silenciar o eco das cobranças externas e começar a escutar a sua própria e verdadeira voz. A análise é esse convite profundo.
